Bem-vindo ao Presepios de Portugal!

Bem-vindo ao Presépios de Portugal!

 

                              

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

História dos presépios na Arte Sacra
Quanto a origem dos presépios, alguns pesquisadores reportam-se aos primeiros séculos da era cristã, considerando como elementos precursores do presépio, as representações da natividade em afrescos das catacumbas romanas, bem como na ornamentação dos sarcófagos nelas recolhidos. Dessas antigas representações da arte cristã primitiva preservou-se uma cena do esculpida sobre um sarcófago datado do século IV na catacumba de Santa Priscila, em Roma.As solenidades litúrgicas próprias do Natal registradas em Roma já no século IV, só foram institucionalizadas no século V, pelo Papa Libério. No decorrer de vários séculos, os festejos natalinos passaram a se firmar, como mais um elemento de culto, sem identificar-se claramente, com uma devoção religiosa particularizada e explícita. Somente no século XIII, no ano de 1223, na igreja de São Damião, em Greccio, localidade da região da Úmbria, nas proximidades da cidade de Assis, Itália, essa devoção manifestou-se sob a forma de “presepe” – isto é, a representação cenográfica do local e dos personagens que, segundo a narrativa dos evangelistas, assistiram ao nascimento de Jesus Cristo.A representação organizada em 1223 por São Francisco de Assis, reforçou o tema central de devoção popular e dela participaram frades franciscanos e pessoas do povo. Essa iniciativa, imitada no decorrer dos tempos que se seguiram, por conventos, igrejas e também pelo povo em geral, qualifica São Francisco de Assis como o “Patrono Universal do Presépio”, o qual passou a ser, a partir de então, a fonte inspiradora para artistas de toda a Cristandade. Já em 1290, a igreja de Santa Maria Maior, em Roma, foi reformada e nela foi instalada a Capela do Presépio, abrigando um grupo de peças, esculpidas em madeira, representando a cena da Natividade.Em 1484, no mosteiro de São João, em Nápoles, foi armado o primeiro presépio com grandes figuras de madeira, no qual figuravam anjos, pastores e reis magos, compondo a cena principal da Natividade. Entre 1525 e 1530, o poeta e humanista italiano, Jacopo Sannazaro montou, na igreja de Santa Maria do Parto, um presépio composto por grandes figuras de madeira, quase em tamanho natural, representando a Sagrada Família e alguns pastores, obra do maior escultor napolitano daquela época, Giovanni da Nola.No final do século XVI, a pintura começou a misturar à História Sagrada, elementos extraídos da realidade cotidiana. Pintores napolitanos transformaram os pastores do Evangelho, em típicos camponeses italianos, introduzindo uma visão mais realista das classes sociais. Com a divulgação do presépio por toda a Europa e, particularmente na Itália, desde o século XVII com a arte presepista já plenamente configurada.

 

No final do século XVII e durante todo o século XVIII, período em que o estilo barroco marcou acentuadamente a Arte Sacra, o presépios popularizaram-se, enriquecendo-se de novos personagens e atingindo o ponto culminante de sua criação, como modalidade artística independente – a arte presepista. No início do século XVIII, o Reino de Nápoles, sob o reinado de Carlos III de Bourbon – um grande incentivador da arte presepista em seu país – destacou-se como um importante centro produtor de presépios – nascia o presépio napolitano.

Encorajado pelo dominicano, padre Rocco, Conselheiro do Reino, Carlos III transformou a arte presepista numa prática do próprio monarca e da aristocracia. Na cidade de Nápoles desenvolveu-se um refinado artesanato de miniaturas, onde ceramistas, marceneiros, pedreiros e entalhadores, ao lado de alfaiates, sapateiros, peruqueiros, joalheiros e fabricantes de instrumentos musicais, passaram a dedicar-se à produção em miniatura de réplicas perfeitas de tudo quanto era de uso na vida cotidiana daquela época, chegando tais artífices, a alcançar resultados de admirável qualidade e notável beleza. Essa foi a época da humanização do presépio, que se ampliou, envolvendo expressões do folclore local, com os personagens (figurantes) dos presépios, passando a ser cópias fiéis dos tipos humanos regionais, vivendo situações do cotidiano, em ambientações bastante realistas.

Os trabalhos dos “figurinai” (figureiros) napolitanos, constituem o expoente máximo dessa habilidade, que permitiu transpor, em representações de cenas do cotidiano, os momentos que se pretendia rememorar, da História Sagrada. Os “figurinai” napolitanos logo imitados em Roma, onde na metade do século XVIII, os artesãos modelavam figuras de presépio, chamadas “pupazzi” (bonecos). Os “pupazzari” – fabricantes de pupazzi (o equivalente aos nossos “figureiros”) trabalhando ao nível das camadas sociais mais pobres, também contribuíram grandemente para que se difundisse o hábito e o gosto por armar (ou compor) presépios, com personagens retratados em bonecos.

Da Itália, os presépios espalharam-se, com o passar do tempo, por toda a Europa e, a partir daí, para todo o mundo cristão, acompanhando, primeiramente os franciscanos e depois, os jesuítas, ao longo do caminho geral do movimento de evangelização. A influência italiana na arte presepista, fez-se sentir, principalmente, na Áustria, na Alemanha, na Polônia, na Espanha e no Portugal.

O presépio português, à semelhança do presépio italiano, adquiriu características próprias, nacionais, sendo tradicionalmente confeccionado em barro, retratando com fidelidade os costumes próprios de cada época e lugar. De Portugal, o presépio chegou ao Brasil colonial, como elemento de catequese trazido pelos jesuítas portugueses, espanhóis e italianos. É dos primórdios da colonização, as primeiras referências à modelagem de figuras de presépio, em barro, realizada pelos jesuítas, junto à população indígena. Mas foi efetivamente nos séculos XVII e XVIII que, simultaneamente ao desenvolvimento da arte presepista européia, o presépio implantou-se no Brasil. Segundo a tradição, o presépio teria sido introduzido no Brasil, no século XVII em Olinda, por iniciativa de frei Gaspar de Santo Agostinho.

Inicialmente, os presépios brasileiros eram cópias quase que exclusivas do modelo português, apresentados em igrejas e residências de famílias abastadas, sempre acompanhados dos autos de Natal, os chamados “pastoris”. Com o passar do tempo, o presépio brasileiro desenvolveu-se no sentido de incorporar a inspiração nas coisas da terra, deixando transparecer as múltiplas contribuições estrangeiras presentes na cultura brasileira, mas também impregnando-se de elementos próprios, originais, caracterizados conforme a criatividade de quem os concebeu